todos os dias escolhemos vestir uma  roupa, todas elas provenientes de recursos da natureza e das mãos de mulheres.

todos os dias esquecemos disso.

 

PONTO DE PARTIDA

E se as roupas surgissem da satisfação de dizer ‘fui eu que fiz’

e não do desgaste e da exploração de mulheres?

Esse foi o nosso ponto de partida. 

 

O Projeto Fio surgiu das insatisfações das três sócias fundadoras com a indústria da moda extremamente desigual, machista e exploradora,e da vontade mútua de pensar a moda como um mecanismo para gerar impacto social positivo.​

O Projeto começou a partir de Olivia Silveira, Marina Bittencourt e Ana Luiza Nigri - três mulheres formadas em design, inseridas no mercado na moda e com  proposta de pensar esse modelo de trabalho

na contra-mão.

PROPÓSITO

O propósito do Fio é reinserir mulheres marginalizadas e invisibilizadas pela sociedade através da moda. Para nós,

tão importante quanto desenhar um produto que agrade o consumidor é criar um sistema que agrade suas produtoras.

 

Ao invés de trabalhar com grandes fábricas, trabalhamos com pequenos encontros de capacitação. Ao invés de correr contra o tempo e investir em maquinários automatizados, valorizamos a pequena produtora, o manual, o artesanal e o que leva tempo e dedicação para ser feito à mão. Partimos dos termos das mulheres que o fio engloba, desenhando um sistema onde nossas bordadeiras possam trabalhar de casa, no tempo

e local que for melhor para elas.

 

CAPACITAÇÃO

O Projeto Fio é um projeto de capacitação em comunidades do Rio que visa fortalecer, capacitar e remunerar mulheres marginalizadas através do bordado. Através de encontros semanais de bordado e arteterapia ensinamos mulheres em estado de vulnerabilidade social e/ou econômica a arte do bordado, produzindo juntas as nossas coleções de moda.

Uma vez capacitadas, as bordadeiras podem bordar para

a marca Projeto Fio - é uma escolha de cada uma delas. Elas podem trabalhar de casa, escolhendo quais peças bordar, qual a quantidade de trabalho desempenhar e em quanto tempo realizar. Afinal, entendemos que o bordado tem um tempo próprio, o tempo da vida e das mãos de cada uma das bordadeiras.

 

ARTETERAPIA

No trabalho arteterapêutico, elas passam a criar e nutrir-se dessa criação. Os traumas e dificuldades podem ser acolhidos e reparados pela experiência criativa que, por vias sensíveis e simbólicas, oferece à elas a possibilidade de ver suas histórias ressignificadas.

As bordadeiras que estão conosco são mulheres que passaram por situações difíceis de violência e trauma, estão fragilizadas social e economicamente e chegam ao projeto social buscando uma roda de conversa, troca e apoio. Elas descobrem nos encontros uma técnica terapêutica, um grupo de amizade e a possibilidade de uma complementação de renda, que naturalmente possibilita melhorias em suas condições de vida.

Desenvolvemos a arteterapia com grupos de mulheres no sentido de convidá-las a atuar conscientemente com sua expressão e inventividade e contribuir para a instauração

de um processo de empoderamento e auto-estima.

 

Na medida em que exercem e exploram suas capacidades criativas, cada mulher passa se perceber como uma agente

de transformação de sua realidade pessoal e seu entorno, capaz de criar narrativas signficativas para suas experiências e para seu estar no mundo. O grupo, por sua vez, ao compartilhar histórias e sentimentos, também encontra a possibilidade de conquistar um fortalecimento de vínculos

de confiança e afeto e desenvolver maior consciência do

seu potencial político de inserção e mudança. 

 

PARCEIROS

Nossas aulas de capacitação hoje em dia ocorrem em duas comunidades, na Maré - em parceria com o Redes da Maré, na Casa das Mulheres, e na Tijuquinha, em parceria com o projeto Eu Sou Arte. Trabalhamos em conjunto com as arteterapeutas do projeto Transborda Rio e damos aulas semanais nesses espaços.

 

BORDADO NA CONTRA-MÃO

Escolhemos o bordado por ele ir na contra-mão do mercado maquinado e pautado pelo fast fashion que predomina hoje. Bordado é uma técnica que pede tempo

- ela nos lembra do passado de uma forma nostálgica,

e demanda um olhar pelos detalhes, tanto de quem faz quanto de quem aprecia. É uma técnica que fala de individualidade, das diferenças que moram na pontas

dos dedos. Escolhemos bordar, por precisar apenas de

três ferramentas: Agulha, linha e tempo.

Escolhemos ensinar o bordado porque é algo que estava

se perdendo, e por ter sua base totalmente pautada na contação de histórias feminina. 

É uma técnica manual, artesanal e terapêutica, através

da qual as alunas da capacitação ganham criatividade, autoestima, ferramentas de socialização, renda e uma ponte com a arte.  É uma atividade que resgata memórias, trabalha a paciência e a concentração, e uma ferramenta que permite que contem suas histórias.

 

MATERIAIS​ E MODELOS

Trabalhamos apenas com tecidos naturais, como o linho e o algodão, poucas modelagens e diversos motivos diferentes. A ideia é que as peças sirvam como uma moldura para receber o bordado, evitando sobras e excedentes. As roupas começam todas iguais e ganham forma através dos bordado, a diferença entre elas está na história que cada mão conta.